sábado, 27 de março de 2010

Resolvi voltar com o meu blog.
Evolui muito o meu espírito, meu modo de encarar a vida, as coisas, as adversidades, os obstáculos. Não estou voltando com esse blog com o motivo que me levou a criá-lo. Não quero me utilizar desse espaço somente como uma forma de desabafo mas, também, como uma forma de alerta. Uma forma de tentar ajudar as Annas e Mias. De me unir à elas, de agrupar forças.
De forma ALGUMA sou a favor desses transtornos que quase tiraram minha vida, minha luz. Mas, não posso afirmar que estou curada e gritar que sou dona da verdade. Não estou aqui pra recriminar quem segue esse tipo de vida, já que eu mesma o sigo, mesmo que involuntariamente. Entendo que alguém apareça aqui dizendo "Tudo que você tá falando é balela. Anna e Mia são minhas melhores amigas!". Entendo exatamente porque já tive esse tipo de pensamento. E até hoje, muitas vezes, me deixo dominar por ele.
Mas será que elas são mesmo nossas amigas? Será que amigos de verdade nos fazem sentir feias, gordas, abaixam nossa auto-estima? Alguém da sua família diz pra você que você é horrível? Alguém que te ama de verdade te destrói, te faz odiar a si mesma? Como podemos considerar uma amizade que nos transtorna que nos faz perder a admiração pelas coisas mais belas, pelos detalhes mais fascinantes e faz com que nos foquemos somente em coisas superficiais?
Já escondi minhas "amigas" por não querer ser obrigada a me tratar. Já escondi, depois, por vergonha. Mas, agora não quero esconder, na esperança de que, expondo esse lixo que carrego no meu interior, eu possa limpar o interior de outras pessoas ou evitar que elas venham a se sujar.

Já vai fazer um ano que não entro nesse blog. Então, vou tentar resumir esse tempo da minha vida.


Abandonei a terapia. Voltei a amar meus transtornos e me deixei dominar por Anna e Mia.
O mês de agosto de 2009 foi determinante.
Na semana do dia 10 ao dia 17, entrei numa depressão profunda. Dia 16, fui para a praia e bebi uma garrafa de vodka quase inteira. Entrei em coma alcóolico. Acordei no hospital, minha mãe do meu lado. Fui expulsa de casa e fui morar com meu irmão. Comecei a comer muito, devido à ansiedade. O uso dos laxantes aumentou, já que vomitar ficava mais difícil por causa da casa sempre cheia. A infecção urinária que eu havia tido, subiu pros dois rins e, no final do mês fui internada com infecção grave. Fiquei uma semana no hospital. SOZINHA. Não tive visitas, já que todos estavam me achando uma super delinquente. Eu NUNCA tive um choro tão sentido. Juro, eu sentia lágrimas pesadas, grossas. Nunca fiquei dessa forma.
Depois, disso, conversei com minha família e voltei a morar com minha mãe. Esse foi meu momento de maior fragilidade. Se imagine pelado, completamente nú, expondo todos os defeitos e as partes que você mais repudia no seu corpo, para milhões de pessoas. Me senti assim. Exposta, invadida, com minhas feridas abertas, minhas fraquezas e meu lado feio em evidência.
Parei com os laxantes, com a provocação do vômito. Mas isso não tirou nem um pouco a minha neurose com as gorduras. Piorou. Engordei consideravelmente. Minha barriga tá aqui e eu to voltando a sentir toda a pressão de novo. Esse fim de semana já fiz uso de 15 laxantes. Eu pedindo com fé, to me apegando a Deus, à minha Nossa Senhora Rainha da Paz. Peço a todo instante que a minha mãe do céu interceda por mim e me cure, me tire dessa imundice. Tá tudo estranho demais. Esse tempo todo eu percebi o quanto a Anna e a Mia destroem a minha vida. Eu to consciente, mas quero que elas continuem fazendo parte de mim ! Ao mesmo tempo que de certa forma agradeço pela consciência que obtive, a rejeito veementemente por ela permitir que meu corpo fique deformado, gordo, feio. Eu to assustada com isso e não to conseguindo entender muito bem. Tá difícil driblar minha família. Depois que as pessoas descobrem sobre os transtornos alimentares, a marcação fica cerrada. Já teve época da minha irmã ficar dentro do banheiro comigo tomando banho pra vigiar se eu iria vomitar ou não.
Não to conseguindo organizar muito bem meus sentimentos, minahs palavras. Não to conseguindo me expressar.
manahã eu tento de novo. To ficando sufocada!

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